Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2021-11-06
Review article

A practical clinical approach to the male patient using anabolic androgenic steroids

Santos FS, Bello CT, Reis J, Rosário FSd, Fernandes C

Abstract

The use of anabolic androgenic steroids (AAS) is an increasingly common habit in the general population (mainly among males), yet this topic remains infrequently addressed and poorly studied by the medical community. Most users have a cosmetic motivation, looking to take advantage of the potential myogenic effects of these substances; however they can also cause undesirable androgenic and estrogenic actions which are largely inseparable from the muscular ones. These properties explain at least part of the various types of potential associated adverse effects, namely: fertility, neuroendocrine, psychiatric, cardiovascular, metabolic and, musculoskeletal issues. While some of these are clearly proven side effects, others lack clarification, especially when it comes to long term health consequences of AAS use. When approaching clinically users of these substances it is essential to establish a healthy doctor-patient relationship, especially taking into account the frequent distrust felt towards medical professionals regarding this subject. Stopping the use of AAS is paramount before contemplating, if clinically justifiable, further measures which can include, among others, the prescription of selective estrogen receptor modulators, gonadotropins or psychotropic medications. Given the diversity of potential EAA effects and the gaps in our knowledge related to them and how to best treat them, it would seem best to proceed henceforth with a multidisciplinary clinical approach based on the available scientific and pathophysiological knowledge.

Portuguese abstract

O consumo de esteróides androgénicos anabolizantes (EAA) é uma prática cada vez mais frequente na população geral (principalmente no sexo masculino), no entanto este tema permanece pouco abordado pela comunidade médica. A motivação de quem usa EAA é geralmente estética pelo potencial efeito no aumento da massa muscular, no entanto estas substâncias apresentam igualmente acções indesejáveis androgénicas e estrogénicas que são em grande parte indissociáveis das miogénicas. Estas propriedades explicam pelo menos parte dos potenciais efeitos adversos associados nomeadamente na fertilidade, neuroendocrinos, psiquiátricos, cardiovasculares, metabólicos e musculo-esqueléticos. Embora alguns destes efeitos estejam claramente comprovados, outros carecem de esclarecimento, principalmente no que toca aos impactos dos EAA na saúde a longo prazo. No contacto clínico com utilizadores destas substâncias é essencial o estabelecimento duma boa relação médico-doente especialmente tendo em consideração a frequente desconfiança sentida para com a comunidade médica em relação ao tema. A cessação dos consumos será imprescindível antes de serem consideradas, caso clinicamente se justifique, possíveis intervenções que poderão incluir, entre outros, a prescrição de moduladores selectivos do receptor de estrogénio, gonadotrofinas ou psicofármacos. O conhecimento limitado dos múltiplos e possíveis efeitos associados aos EAA e de quais as melhores estratégias terapêuticas a adoptar tornam importante uma abordagem clínica multidisciplinar tendo por base fundamentos científicos e fisiopatológicos já conhecidos.