Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2021-12-16
Review article

Metabolic and cardiovascular risk factors associated with type 1 Diabetes Mellitus in pediatric age

Araújo M, Correia CC

Abstract

According to International Diabetes Federation (IDF), in 2019, there was about 463 million people with diabetes,1,110,100 are children and teenagers with T1DM (aged between 0-19 years old), having 128,900 new diagnoses per year. Europe has the greatest number of children and teenagers with T1DM (296 500 cases), of which 2 552 were from Portugal during 2019. It is well known that Diabetes is a risk factor for cardiovascular disease. Children with diabetes tend to have other cumulative risk factors that places them in a higher risk group when compared to their healthy peers (overweight and/or obesity, metabolic syndrome features and endothelial disfunction at younger age). This Review aims to sum up some scientific evidence from randomized controlled trials and systematic reviews that show that there is, in fact, a higher prevalence of dyslipidemia, weight gain, changes in tensional profile and early atherosclerotic features and endothelial disfunction among children and teenagers with T1DM when compared to children with the same age without this disease. More importantly, this article attempts to focus on the importance of preventing this cardiovascular morbidity and mortality that is imposed by the disease at such a young age. Therefore, there is a growing need to keep investing in the continuous glucose monitoring systems along with intensive insulin regimens that provide a much more stable and physiological glycemic profile, diminishing the side effects of hyperglycemia and insulin administration in such young ages. Therefore, it is expected a growing concern regarding prevention and retardation of cardiovascular morbidity and premature mortality that accompanies T1DM. This can be accomplished allying a healthy diet and regular physical activity with physiological and individualized insulin regimens. Eventually, as the technology and scientific knowledge continues to evolve, we are going to be able to give a better care and a longer and healthier life to children and teenagers with T1DM, minimizing the increased cardiovascular risk inherent in the pediatric population with T1DM.

Portuguese abstract

De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), em 2019, estima-se a existência de 463 milhões de pessoas com diabetes, dos quais mais de 1,110,100 são crianças e jovens (0-19 anos) com Diabetes Mellitus tipo 1 (DMT1), havendo cerca de 128,900 novos diagnósticos por ano. A Europa é a região mundial com maior número de crianças e adolescentes com DMT1 (296 500 casos), sendo que Portugal verifica uma estimativa de 2 522 casos neste período de análise. Sendo a Diabetes um fator predisponente para doença cardiovascular, a obesidade, as complicações metabólicas e a disfunção endotelial precoce observada em maior prevalência nestas crianças e jovens surgem como fatores cumulativos, gerando um panorama de risco ainda mais elevado nesta população. Este trabalho visa reunir a evidência científica baseada em ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas que demonstram que existe, de facto, uma maior prevalência de dislipidemia, excesso de peso, alterações do perfil tensional e evidência de aterosclerose precoce associada à DMT1. Simultaneamente, tem-se por objetivo demonstrar que a evolução do paradigma de tratamento - com a utilização de sistemas de monitorização contínua ou intermitente e regimes insulínicos mais fisiológicos com recurso a bombas de infusão contínua subcutânea – contribuirá certamente para valores de glicemia mais estáveis, mitigando os efeitos adversos da insulinoterapia e da hiperglicemia a longo prazo. De realçar a importância de investir na prevenção e desaceleração da progressão metabólica e cardiovascular da doença, aliando a dieta e exercício físico a uma terapêutica insulínica o mais fisiológica e individualizada possível, de forma a tornar o risco cardiovascular acrescido inerente à população pediátrica com DMT1 cada vez mais próximo da restante população pediátrica sem a doença.