Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2018-10-07
Original article

Ab initio intensive insulin therapy in children and adolescents with type 1 diabetes mellitus

Pires S, Miranda A, Batista N, Aveiro L, Capitão R, Simão L, Freitas F, Caetano J, Cardoso R, Dinis I, Mirante A

Abstract

Introduction: Intensive insulin therapy is currently the recommended therapy for the treatment of type 1 diabetes mellitus (DM1) in children and adolescents. Combined with appropriate therapeutic education, it allows glycemic stability, greater dietary freedom and a better quality of life. Objectives: Evaluate the metabolic control in children and adolescents with DM1, under ab initio intensive insulin therapy; identify contributing factors to metabolic control; recognize cardiovascular risk factors present in this population. Material and methods: Retrospective study of children and adolescents with DM1, followed in a grade III hospital, under intensive insulin therapy (multiple daily insulin injections [MAAI] or continuous subcutaneous insulin infusion [PSCI]), from diagnosis and during the first four years after diagnosis. Demographic, clinical and laboratory data were analyzed. Results: We obtained a sample of 110 children and adolescents 51.8% were girls, and the mean age at diagnosis was 8.42 ± 3.9 years. In the 4th year of follow-up, 81 cases (74%) were under MAAI and 29 (26%) under PSCI. The mean HbA1c in the four years of follow-up remained below the international target of 7.5%. In the 4th year of follow-up the PSCI group had an HbA1c lower than the MAAI group (7.3% vs 7.5%, p=0.628). In the group under PSCI and in the small children (less than five years old) there was no statistically significant variation of HbA1c, over the four years of follow-up. During the four-year follow-up, there was no significant change in overweight/obesity (27%), hypertension (5.6%) or dyslipidemia (13%). Dyslipidemia was more frequent in the group with HbA1c> 7.5% at the 4th year (p=0.004). Conclusion: Intensive insulin therapy since the diagnosis allows a good metabolic control. PSCI prevents the deterioration of the metabolic control during the follow-up. Despite good metabolic control, we often found other metabolic risk factors, which remained stable during follow-up, and should be reviewed. We did not see an increase in overweight and obesity during follow-up.

Portuguese abstract

Introdução: A insulinoterapia funcional é atualmente a terapêutica recomendada no tratamento da diabetes mellitus tipo 1 (DM1) em crianças e adolescentes. Associada a adequada educação terapêutica permite estabilidade das glicémias, maior liberdade alimentar e melhor qualidade de vida. Objetivos: Avaliar o controlo metabólico na DM1 em idade pediátrica, sob insulinoterapia funcional ab initio; identificar os fatores que contribuem para o melhor controlo metabólico; reconhecer fatores de risco cardiovascular presentes nesta população. Material e métodos: Estudo retrospetivo, de crianças e adolescentes, com DM1, seguidos num hospital nível III, sob insulinoterapia funcional (múltiplas administrações de análogos de insulina [MAAI] ou perfusão subcutânea contínua de insulina [PSCI]), desde o diagnóstico e durante os primeiros quatro anos de doença. Foram analisados dados demográficos, clínicos e analíticos. Resultados: Obtivemos uma amostra de 110 crianças e adolescentes. Em 51,8% dos casos eram do género feminino, e a média de idade do diagnóstico foi de 8.42±3.9 anos. No 4º ano de seguimento, 81 casos (74%) estavam sob MAAI e 29 (26%) sob PSCI. A média de HbA1c ao longo dos quatro anos de seguimento manteve-se abaixo do alvo internacional de 7.5%. No 4º ano de seguimento o grupo com PSCI teve uma HbA1c menor que o grupo com MAAI (7.3% vs 7.5%; p=0.628). No grupo com PSCI e nas crianças pequenas (menos de cinco anos) não houve variação estatisticamente significativa da HbA1c, ao longo dos quatro anos de seguimento. Durante os quatro anos de seguimento não houve variação significativa do excesso de peso/obesidade (27%), da hipertensão arterial (5.6%) ou da dislipidémia (13%). A dislipidémia foi mais frequente no grupo com HbA1c >7.5% ao 4º ano (p=0.004). Conclusão: A insulinoterapia funcional desde o diagnóstico permite obter um bom controle metabólico. A PSCI permite evitar a deterioração do controle metabólico ao longo do seguimento. Apesar do bom controle metabólico, encontramos com alguma frequência fatores de risco metabólico, que se mantiveram estáveis no seguimento, sendo importante a sua monitorização. Não verificamos durante o seguimento um aumento do excesso de peso e obesidade.