Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2022-03-22
Original article

GESTATIONAL DIABETES RECURRENCE – DIFFERENCES BETWEEN FIRST AND SECOND PREGNANCY

Gamito M, Ribeiro J, Rodrigues C, Amaral N, Figueiredo A, Caeiro F, Abreu B, Pereira N

Abstract

Introduction: Women with gestational diabetes (GD) have increased risk of GD in subsequent pregnancies (30-50%), glucose intolerance and type 2 diabetes mellitus. Risk factors for GD recurrence are obesity, multiparity, advanced maternal age, early onset GD, need of insulin treatment, macrosomia and weight gain between pregnancies. The aim of this study is to compare the first and second pregnancy with GD in the same woman. Material and methods: This was a retrospective observational study comparing women who had GD twice, followed in our hospital, between 2012 and 2019. Our sample included 2 groups (1St pregnancy with GD – G1, 2nd pregnancy with GD – G2), each with 30 pregnancies. We considered literary qualifications, age, parity, pre-conception body mass index (BMI), weight increase between and during each pregnancy, gestational age at diagnosis and at delivery, HbA1c, maternal, fetal and neonatal complications, therapy required, mode of delivery, birth weight, macrosomia and results of reclassification test 6 to 8 weeks after delivery. We used Kolmogorov-Smirnov, McNemar, Wilcoxon and paired T tests for statistical analysis and p<0,05 was considered for statistical significance. Results: The mean age was 30±5 and 33±5 years, in the 1st and 2nd pregnancies. In G2, 40% had an initial BMI≥30kg/m2 vs 33% in G1. Women had a significant average increase of 3.8kg on the initial weight between pregnancies. The diagnosis of GD was slightly earlier in G2 (p=0.4313). G2 required more pharmacological treatment 66.7%vs43.3%, with higher need for combined therapy (p<0.05). HbA1c on the 3rd trimester was higher in G2 (p<0.05). Gestational age at delivery was similar between groups. Vaginal delivery was the most frequent mode of delivery in both pregnancies. Median birth weight was higher in G2 (p<0.05) Reclassification test was normal in 92%vs60% of G1vsG2 (p=0.1336). Conclusion: GD recurrence seems metabolically more challenging, which associated with higher incidence of maternal obesity and advanced maternal age can explain the findings of our study.

Portuguese abstract

Introdução: Mulheres com diabetes gestacional (DG) têm risco aumentado de DG nas gravidezes subsequentes (30-50%), de intolerância à glicose e de diabetes mellitus tipo 2. Factores de risco para recorrência da DG são obesidade, multiparidade, idade materna avançada, DG com início precoce, necessidade de insulina, macrossomia e aumento de peso entre gravidezes. O objectivo deste estudo é comparar a primeira e segunda gravidez com DG na mesma mulher. Material e métodos: Realizou-se um estudo observacional retrospectivo, comparando as grávidas com DG em 2 gravidezes, vigiadas no nosso hospital, entre 2012 e 2019. A amostra incluiu 2 grupos (1ª gravidez com DG –G1; 2ª gravidez com GD –G2), cada um com 30 gravidezes. Foram analisadas habilitações literárias, idade, paridade, índice de massa corporal (IMC), aumento de peso entre e durante as gravidezes, idade gestacional (IG) no diagnóstico e parto, HbA1c, complicações maternas, fetais e neonatais, terapêutica, via de parto, peso do recém-nascido (RN), macrossomia e resultados da prova de reclassificação. A análise estatística foi feita com os testes de Kolmogorov-Smirnov, McNemar, Wilcoxon e T-student para amostras emparelhadas. Foi considerado estatisticamente significativo p<0,05. Resultados: As idades médias foram 30 e 33±5anos (G1vsG2). Em G2, 40% tinham IMC≥30 kg/m2, vs 33% em G1. Verificou-se um aumento médio significativo de 3.8kg no peso inicial entre gravidezes. O diagnóstico de DG foi mais precoce em G2 (p=0.4313). Houve maior necessidade de terapêutica farmacológica em G2 66.7%vs43.3%, com maior recurso à terapêutica combinada (p<0.05). HbA1c no 3º trimestre foi mais elevada em G2 (p<0.05). A Idade gestacional no parto foi semelhante entre grupos e a via vaginal foi a mais frequente. O peso médio ao nascer foi maior em G2 (p<0.05).. A prova de reclassificação foi normal em 92%vs60% (G1vsG2, p=0.1336). Conclusão: A recorrência de DG parece metabolicamente mais desafiante, o que associado à maior incidência de obesidade e idade materna mais avançada pode explicar os resultados.