Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2022-07-14
Clinical case

Insulinoma misdiagnosed as factitious hypoglycemia

Bala NM, Aragüés JM, Guerra S, Peixe M, Valadas C

Abstract

Hypoglycemia is an important cause of referral to endocrinologists. We report a case of 34-year-old female presenting with Whipple’s triad. The blood test documented hyperinsulinemic hypoglycemia and the presence of glibenclamide. Blood tests were repeated, confirming the results. Considering these laboratory findings, factitious hypoglycemia was suspected and the patient was referred to a psychiatry clinic. However, following further investigation, a pancreatic neuroendocrine tumor was diagnosed and submitted to surgical resection. At this point two highly unlikely scenarios remained: either the patient had a simultaneous diagnosis of a neuroendocrine tumor and factitious hypoglycemia or the glibenclamide result was a false positive due to a serum interference. In order to clarify the situation further investigation was performed and the interference hypothesis was confirmed. This case shows that a diagnosis of factitious hypoglycemia should not be categorically assumed, even when in the presence of a positive measurement of secretagogues in blood tests.

Portuguese abstract

A hipoglicemia é uma das causas de referenciação à consulta de Endocrinologia. Apresentamos o caso de uma doente de 34 anos encaminhada por sintomatologia compatível com tríade de Whipple. A avaliação analítica documentou hipoglicemia hiperinsulinémica e, na mesma amostra, doseamento positivo de glibenclamida. Foi realizada uma nova colheita e confirmados os resultados. Tendo em conta a avaliação analítica, foi assumido o diagnóstico de hipoglicemia factícia e a doente foi encaminhada à consulta de Psiquiatria. Contudo, após investigação adicional, foi diagnosticado um tumor neuroendócrino pancreático. Nesta fase, colocaram-se duas hipóteses: tratar-se de um tumor neuroendócrino não funcionante e apresentar, concomitantemente, hipoglicemia facticia, ou tratar-se de um insulinoma e o doseamento de glibenclamida ter sido um falso positivo. Foi realizada investigação adicional e confirmou-se a segunda hipótese. Com este caso, salientamos a importância de considerar a presença interferentes, independentemente do método laboratorial, e não assumir categoricamente o diagnóstico de hipoglicemia factícia.