Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2022-11-01
Original article

USE OF SGLT2 INHIBITORS IN TYPE 1 DIABETES: EXPERIENCE FROM A PORTUGUESE TERTIARY CENTER

Aveiro-Lavrador M, Araújo B, Melo M, Barros L, Paiva I

Abstract

Introduction and Objectives: Basal-bolus insulin management remains the only option for effective treatment of type 1 diabetes (T1DM). However, most of T1DM patients do not achieve glycemic targets and so there has been a great interest in adjunct therapies, as the use of SGLT2 inhibitors (SGLT2i). Our study aimed to assess the impact of introducing an SGLT2i on glycemic control, weight, and insulin doses in a group of T1DM patients. Methods: A retrospective longitudinal study was conducted in the Endocrinology Department of a University Hospital. Inclusion criteria comprised T1DM patients, under intensive basal-bolus insulin therapy (continuous subcutaneous insulin infusion-CSII, or multiple daily injection), who initiated therapy with an SGLT2i and with regular use of freestyle libre®. CGM metrics, daily insulin dose, glucose levels, body weight, and body mass index were evaluated, using the Ambulatory Glucose Profile (AGP), Libreview®, and patients’ clinical records, before and after 3 months of dapagliflozin introduction. Statistical analysis was performed using IBM SPSS Statistics v.26 for Windows. Results: 17 patients were included with a mean age of 36.12 years (SD=11.061), 58.82% female, 64.71% under CSII and 35.293% under multiple daily injection. After the introduction of dapagliflozin, there was an overall improvement in glycemic control, with statistical significant differences in the following parameters: %time in range (50.9% to 60.2%; p=0.019); coefficient of variation (43.7±6.2% to 40.7 ±6.4%; p=0.001); GMI (7.6% to 7.0%; p=0.001); total insulin daily dose (53.9 U to 44.0 U; p=0.001); basal insulin dose (30.0U to 25.0U; p=0.001); prandial insulin dose (24.7 to 20.0U; p=0.028). At the same time, median fasting glucose, pre and post-lunch and pre-dinner glucose were significantly reduced, as well as body weight and BMI. Regarding the difference of glucose levels with and without dapagliflozin in the various periods of the day, the median was higher at post-lunch period (-35.45mg/dL IQR: -44.0, -10.22) and lower at post-dinner time (-6.31 mg/dL, IQR: -46.78, 2.105). Conclusion: The introduction of SGLT2i in this population improved glycemic control during pre and postprandial periods. The maximal effect was observed in post-lunch period, possibly because of the therapeutic prescription schedule.

Portuguese abstract

Introdução e Objetivos: A utilização de insulina em regime basal/bolus constitui atualmente a única terapêutica efetiva para a Diabetes mellitus (DM) tipo 1. Contudo, a maioria dos doentes não atinge os alvos glicémicos, havendo um crescente interesse na utilização de fármacos coadjuvantes. A utilização dos inibidores SGLT2 (SGLT2i) tem merecido especial atenção. O nosso estudo teve como objetivo avaliar o impacto da sua introdução no controlo glicémico, no peso e nas doses de insulina num grupo de doentes com DM tipo 1. Métodos: Estudo longitudinal retrospetivo que incluiu diabéticos tipo 1, sob insulinoterapia intensiva (perfusão subcutânea contínua de insulina – PSCI ou múltiplas administrações diárias), e com uso regular de freestyle libre®, em quem foi iniciada terapêutica com SGLT2i. Foram considerados os dados relativos às métricas da monitorização contínua de glicose, dose diária de insulina, níveis de glicose, peso corporal e IMC. Avaliados os dados constantes no processo clínico e no Ambulatory Glucose Profile (AGP) e Libreview®, antes e após 3 meses da introdução da dapagliflozina. A análise estatística foi desenvolvida através do SPSS Statistics v.26. Resultados: Foram incluídos 17 doentes com uma média de idades de 36,12 anos (DP=11,061), 58,82% do sexo feminino, 64,71% sob PSCI e 35,293% sob múltiplas administrações. Após introdução da dapagliflozina, verificou-se uma melhoria global do controlo glicémico, com diferenças estatisticamente significativas nos seguintes parâmetros: %tempo no alvo (50,9% vs 60,2%; p=0,019); coeficiente de variação (43,7±6,2% vs 40,7 ±6,4%; p=0,001); GMI (7,6% vs 7.0%; p=0,001); dose diária total (53,9 U vs 44,0 U; p=0.001); dose de insulina basal (30,0U vs 25,0U; p=0,001) e dose de insulina prandial (24,7U vs 20,0U; p=0,028). As medianas da glicemia do jejum, glicemia pré e pós-almoço e pré-jantar reduziram significativamente, assim como o peso e o IMC. Em relação às diferenças nos níveis de glicose antes e depois da dapagliflozina nos vários períodos do dia, a mediana foi maior no período pós-almoço (-35,45mg/dL AIQ: -44,0; -10,22) e menor no período pós-jantar (-6,31 mg/dL, AIQ: -46,78; 2,105). Conclusão: A introdução da dapagliflozina melhorou o controlo glicémico, cobrindo os períodos pré e pós-prandiais. O efeito máximo foi observado no período após o