Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2018-11-14
Original article

Type 2 diabetes mellitus: glycaemic control in a medical ward

Martins AC, Pires P, Bogalho P, Baptista I, Almeida J

Abstract

Introduction: Type 2 diabetes mellitus (T2DM) is a common disease among medical ward patients and increases mortality, morbidity, length of stay and financial costs. Objectives: glycaemic control assessment during a period of hospitalisation of patients with non-insulin treated T2DM in an Internal Medicine ward, between 1 January and 30 July 2015. Methods: retrospective analysis of data from patients’ clinical files (SClínico®); the statistical analysis was accomplished with Microsoft Excel® and SPSS®. Results: 130 patients, mean age 80.1±10.7 years, 54.6% women, hospital length of stay 8.8 days (1 – 22), median HbA1c 6.5%. Major causes of hospitalisation: circulatory system diseases (32.3%) and respiratory diseases (32.3%). Two patients were admitted for poorly controlled diabetes. Thirteen patients deceased. In the first 72h of hospitalisation, most patients were treated with sliding scale insulin (SSI) (62.3%); in the majority of the hospitalisation period most patients were treated with oral antihyperglycaemic agents in association with SSI (48.5%). Basal insulin was used in 3.1% of patients. In the mentioned period, the median capillary glucose (CG) was 171mg/dL, and the median fasting CG was 150mg/dL. Hypoglycaemia was identified in 3 patients. There were statistically significant correlations between: hyperglycaemia and infection (p<0.05); hyperglycaemia >250mg/dL and length of stay (p<0.01); fasting hyperglycaemia and in-hospital mortality (p<0.05). Conclusion: our study highlights the importance of glycaemic control in hospitalised patients and the need for patient-adapted therapeutic schemes. Insulin therapy should be encouraged.

Portuguese abstract

Introdução: A diabetes tipo 2 (DM2) é uma patologia frequente nas enfermarias de Medicina Interna, condicionando aumento da morbi-mortalidade, duração do internamento e custos. Objectivo: Avaliação do controlo glicémico durante o internamento dos doentes com diagnóstico prévio de DM2, não insulinotratados, internados num Serviço de Medicina Interna, entre 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2015. Métodos: Análise retrospectiva de dados disponíveis no processo clínico informático (SClínico®); estudo estatístico com Microsoft Excel® e SPSS®. Resultados: 130 doentes, idade média 80,1±10,7 anos, 54,6% mulheres, tempo de internamento médio 8,8 dias (mín. 1; máx. 22), HbA1c mediana 6,5%. Principais motivos de internamento: doenças do sistema circulatório (32,3%) e doenças respiratórias (32,3%). Em 2 casos o motivo do internamento foi descompensação diabética. Faleceram 13 doentes. Nas primeiras 72h de internamento, a terapêutica mais utilizada foi o esquema de insulina sliding scale (SSI) (62,3%); considerando a totalidade do internamento foram antidiabéticos orais associados a SSI (48,5%). Esquemas contemplando insulina basal foram utilizados em 3,1%. No internamento, as medianas da glicémia capilar (GC) média em jejum e da GC média foram, respectivamente, 150 e 171mg/dL. Foram detectadas hipoglicémias em 3 doentes. Verificaram-se correlações estatisticamente significativas entre: GC média e infecção (p<0.05); GC>250mg/dL e infecção (p<0.05); GC>250mg/dL e duração do internamento (p<0.01); hiperglicémia em jejum e mortalidade intra-hospitalar (p<0.05). Conclusão: Este estudo vem reforçar a importância do controlo glicémico em internamento e da necessidade de esquemas terapêuticos adaptados ao doente hospitalizado, devendo ser incentivada a utilização de insulinoterapia em detrimento dos antidiabéticos orais.