Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2019-03-24
Original article

Endocrine approach in gender dysphoria: the experience in a reference centre

Martins D, Bastos M, Paiva S, Baptista C, Fonseca L, Santos G, Falcão F, Carvalho G, Campos S, Rolo F, Temido P, Azinhais P, Diogo C, Pinheiro S, Ramos S, Carrilho F

Abstract

Introduction: Gender dysphoria (GD) is characterized by a marked discordance between the psychological perception of individual sex and the biological phenotype. In the present article, the authors aimed to analyze the clinical data of a cohort of subjects diagnosed with GD, referred to a national unit, specialized in the endocrine, psychiatric and surgical treatment of this entity. Methods: Data about demographics and response to treatment, were retrospectively analysed in 85 subjects diagnosed with GD, who were observed in the Endocrinology Consultation, during a 12-year period. Results: It was verified that among 85 patients included in the study, 38 (44.7%) were transgender females and 47 (55.3%) were transgender males. The number of patients seeking treatment substantially increased in the last 5 years, with an inferior age of referral in transgender males. Sixty-three patients (74.1%) started cross-sex hormone therapy, deprived of significant adverse events, and gender affirming surgery was performed in 25 patients (29.4%). Conclusions: Our study revealed a progressively growing number of patients seeking sexual reassignment, being predominantly transgender males. The majority of subjects started hormone therapy without substantial related adverse events, corroborating that it may be considered as a relatively safe treatment. Gender affirming surgery was performed in a reasonable number of patients, which was comparable with the experience of other centers.

Portuguese abstract

Introdução: A disforia de género (DG) é caracterizada por uma discordância marcada entre a perceção psicológica do sexo individual e o fenótipo biológico. No presente artigo, os autores pretenderam analisar os dados clínicos referentes a uma coorte de indivíduos com o diagnóstico de DG, referenciados para uma unidade especializada no tratamento endocrinológico, psiquiátrico e cirúrgico desta entidade. Métodos: Foram analisados retrospetivamente dados demográficos e sobre a resposta ao tratamento em 85 indivíduos, com o diagnóstico de disforia de género, observados em consulta de endocrinologia, durante um período de doze anos. Resultados: Verificou-se que de 85 indivíduos incluídos no estudo, 38 (44,7%) correspondiam a mulheres transgénero e 47 (55,3%) a homens transgénero. O número de indivíduos a solicitarem tratamento aumentou substancialmente nos últimos 5 anos, com idade de referenciação inferior no grupo de homens transgénero. Sessenta e três indivíduos (74,1%) iniciaram terapêutica hormonal, sem efeitos adversos significativos. Foram realizadas cirurgias de reatribuição sexual em 25 elementos da amostra (29,4%). Conclusões: O estudo apresentado revelou um número progressivamente crescente de indivíduos a solicitarem reatribuição sexual, sendo predominantemente homens transgénero. A maioria dos indivíduos iniciou terapêutica hormonal sem eventos adversos associados substanciais, corroborando que esta poderá ser considerada como um tratamento relativamente seguro. Foram realizadas cirurgias de reatribuição sexual num número razoável de indivíduos, o que foi comparável com a experiência de outros centros.