Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2019-06-24
Original article

Diabetic ketoacidosis: characteristics of admission in Intensive Care

Gonçalves H, carvalho J, Rebelo A, Barros N, Santos A, Esteves F

Abstract

ABSTRACT Introduction Diabetic ketoacidosis (DK) is characterized by the presence of hyperglycemia associated with metabolic acidosis and increased concentration of ketone bodies. Despite its clinical severity, the associated mortality and hospitalization time are low. The aim of this study was to evaluate the clinical characteristics of patients admitted to Intensive Care Unit (ICU) by DK. Methods Retrospective study on patients admitted to ICU between 2010 and 2017 with diagnosis of DK. We collected variables related to the previous history of Diabetes Mellitus (DM), characterization of DK and hospitalization in ICU. Results A total of 53 patients were included, with 52.8% females and a mean age of 41.04 ± 14.18 years. The majority had a diagnosis of type 1 DM (52.8%, n = 28). Regarding the treatment modalities, most patients were exclusively on insulin (67.9%, n = 36). Most patients, 73.6% (n = 39), were admitted for severe DK, 18.9% (n = 19) for moderate DK and 7.5% (n = 4) for mild DK. The most frequent reason for decompensation was therapeutic non-compliance (32.1%, n = 17). The median admission delay to ICU care was of 4 hours, and median ICU and hospital stays were of 2 and 6 days, respectively. Only 17% of patients (n = 9) were admitted to level 3C of intensive care. In what concerns the median severity scores at admission, we have obtained a SOFA of 1.0, APACHE II of 12, SAPS II of 27 and SAPS III of 42.5.There was a positive and statistically significant relationship between the number of days of hospitalization in ICU and the variables APACHE II, SAPS II, SAPS III and SOFA. Conclusion The majority of the patients that enrolled in this study had type 1 DM and severe DK was the most common diagnosis. They had low severity indices, a rare need for invasive organ support techniques and short stay in ICU. The authors conclude that most of them were admitted to ICU not just because of clinical severity, but also because of the availability of a place with better conditions for monitoring and treatment.

Portuguese abstract

Introdução A cetoacidose diabética (CAD) caracteriza-se pela presença de hiperglicemia, associada a acidose metabólica e aumento da concentração de corpos cetónicos. Apesar da sua gravidade clínica, a mortalidade e tempo de internamento associados são baixos. Este trabalho tem por objetivo avaliar as características clínicas dos doentes admitidos em Serviço de Medicina Intensiva (SMI) por CAD. Métodos Estudo retrospetivo de doentes admitidos em SMI entre 2010 e 2017 com diagnóstico de cetoacidose diabética. Foram recolhidas variáveis relativas à história pregressa de Diabetes Mellitus (DM), caracterização da CAD e internamento em SMI. Resultados Foram incluídos um total de 53 doentes, com 52,8% do sexo feminino e uma média de idades de 41.04 ± 14.18 anos. A maioria tinha diagnóstico de DM tipo 1 (52,8%, n=28). Em relação à terapêutica, o uso exclusivo de insulina foi a modalidade mais frequente (67,9%, n=36). A maioria dos doentes, 73,6% (n=39), foram admitidos por CAD grave, 18.9% (n=19) por CAD moderada e 7.5% (n=4) por CAD ligeira. O motivo mais frequente de descompensação foi o incumprimento terapêutico (32,1%, n=17). A mediana da demora de admissão a SMI foi de quatro horas, de internamento em SMI foi de dois dias e internamento hospitalar de 6 dias. Apenas 17% dos doentes (n=9) foram admitidos em nível 3C de cuidados intensivos. A mediana do SOFA à admissão foi de 1.0 e à alta de 0.0; mediana de APACHE II de 12, de SAPS II de 27 e de SAPS III de 42.5. Estabeleceu-se uma relação positiva e estatisticamente significativa entre o número de dias de internamento em SMI e as variáveis APACHE II, SAPS II, SAPS III e SOFA. Conclusão A maioria dos doentes deste estudo tinha DM tipo 1 e a CAD grave foi o diagnóstico mais comum. Apresenta índices de gravidade baixos, rara necessidade de técnicas de suporte invasivo de órgão e tempo de estadia curto em SMI. Os autores concluem que na sua maioria foram admitidos em SMI não só pela gravidade clínica, mas também pela disponibilidade de local com melhores condições de monitorização e tratamento.