Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2019-06-27
Original article

Incidental Non-Functioning Adenoma: characterization, evolution and follow-up in a portuguese reference center

Dias LN, Capitão R, Roque C, Duarte JS, Marques CC

Abstract

Introduction: Non-Functioning Adenoma (NFA) are common pituitary lesions, mainly diagnosed in the 5th or 6th decade, without gender predominance, and incidentally in 30 percent of cases. Objectives: Characterization of NFA cases followed in our medical center and evaluation their natural history. Methods: Observational, retrospective and longitudinal study on selected patients from Pituitary Pathology Appointments between 01-01-2016 e 01-01-2018 (2 years). Results: We evaluated 30 patients with incidental NFA, 17 (56.7%) macroadenomas and 13 (43.3%) microadenomas. The mean age at diagnosis was 60 ± 20 years, and the sample consisted mostly of women (66.7%). Macroadenomas were diagnosed at a later mean age (68 ± 14 years versus 45 ± 20 years in microadenomas), p = 0.001. Most of macroadenomas were diagnosed by computed tomography and microadenomas by magnetic resonance imaging (MRI), p = 0.03. The initial maximum diameter on MRI was 18 ± 8 mm (11-43 mm) in macroadenomas and 5 ± 2 mm (2.5-8 mm) in microadenomas. The mean follow-up time was 65 ± 57 months and 67 ± 51 months for macro and microadenomas, respectively. There was a decrease in size in 4 (13%), 1 macroadenoma and 3 microadenomas, and growth in 14 lesions. There was a statistically significant difference between the mean initial and final maximum diameters of the growing lesions (t-test, p < 0.001). This growth was evident, at the end of the first year of follow-up, in 60% (n = 3) of microadenomas and only 44% (n = 4) of macroadenomas. Of all macroadenomas, 47% had suprasellar component, 41% suspected chiasmatic contact/compression, 41% extension to (at least one) cavernous sinus and 12% parasellar extension. Hypopituitarism was present initially in one patient and developed during follow-up in another patient (macroadenomas). There were five patients (16.7% of total) with ophthalmologic abnormalities (macroadenomas), 4 of whom had an imaging suspicion of chiasmatic contact/compression. Conclusion: The follow-up of incidental ANF allowed us to identify subclinical ophthalmological abnormalities, growth of these lesions and/or endocrinological changes over time. Over 5.5 years, 47% of the lesions increased in size (0.55 mm/year) and 3.3% revealed new endocrine dysfunction, which was independent of lesion growth.

Portuguese abstract

Introdução: Os Adenomas Não Funcionantes (ANF) são lesões hipofisárias comuns, diagnosticadas principalmente na 5ª e 6ª década de vida, sem predomínio no sexo, e incidentalmente num terço dos casos. Objetivos: Caraterizar os ANF acompanhados no nosso centro e avaliar a sua história natural. Métodos: Estudo observacional, retrospetivo e longitudinal em doentes seguidos na Consulta de Hipófise no período entre 01-01-2016 e 01-01-2018 (2 anos). Resultados: Foram avaliados 30 doentes com ANF incidentais, 17 (56,7%) macroadenomas e 13 (43,3%) microadenomas. A idade média ao diagnóstico era 60 ± 20 anos, sendo na sua maioria mulheres (66,7%). Os macroadenomas foram diagnosticados em idade média mais tardia (68 ± 14 anos) do que os microadenomas (45 ±20 anos), p=0,001. A maioria dos macroadenomas foram diagnosticados por Tomografia Computorizada, e dos microadenomas por Ressonância Magnética (RM) (p = 0,03). O diâmetro máximo inicial pela RM foi em média de 18 ± 8 mm (11-43 mm) nos macroadenomas e 5 ± 2 mm nos microadenomas (2,5-8 mm). O tempo médio de seguimento foi de 65 ± 57 meses e 67 ± 51 meses para os macro e microadenomas respetivamente. Verificou-se diminuição das dimensões em 4 (13%), 1 macroadenoma e 3 microadenomas e crescimento em 14 lesões. Constatou-se uma diferença estatisticamente significativa entre a média dos diâmetros máximos inicial e final nas lesões que evidenciaram crescimento (teste-t, p < 0,001). Este aumento evidenciou-se, ao fim do primeiro ano de seguimento, em 60% (n=3) dos microadenomas e apenas 44% (n=4) dos macroadenomas. Dos macroadenomas, 47% tinham componente suprasselar, 41% contacto/compressão quiasmática suspeita, 41% extensão a (pelo menos um) seio cavernoso e 12% extensão parasselar. O hipopituitarismo estava presente inicialmente num doente e instalou-se durante o seguimento noutro doente, ambos com macroadenomas. Foram registados 5 doentes (16,7% do total) com alterações oftalmológicas, todos com macroadenomas, 4 dos quais apresentavam suspeita imagiológica de contacto/compressão quiasmática. Conclusão: O seguimento dos ANF incidentais permitiu identificar alterações oftalmológicas subclínicas, crescimento destas lesões e/ou alterações endocrinológicas ao longo do tempo. Ao longo de 5,5 anos, 47% das lesões aumentaram de dimensões (cerca de 0,55 mm/ano) e 3,3% revelaram disfunção endócrina de novo, que foi independente do crescimento.