Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2020-07-08
Original article

Cardiovascular risk factors, autoimmunity and insulin resistance in Graves' disease

Ferreira C, Neves C, Neves J, Oliveira S, Sokhatska O, Pereira M, Oliveira A, Medina J, Delgado L, Carvalho D

Abstract

Introduction: Graves’ disease is an autoimmune disease accounting for the majority of hyperthyroidism cases, with a multisystemic influence. Our aim was to assess the interrelationships between cardiovascular risk factors, autoimmunity and insulin resistance in Graves’ disease. Material and Methods: We measured free T3 (FT3), free T4 (FT4), TSH, thyrotropin receptor antibodies (TRAb), anti-thyroglobulin and anti-TPO antibodies, thyroid volume (TV), BMI, glucose, HbA1c, HOMA-IR (Homeostatic Model Assessment for Insulin Resistance), levels of total cholesterol, HDL, LDL-cholesterol, triglycerides, apolipoprotein B, apoA1, lipoprotein(a), CRP (C-reactive protein), folic acid, B12 vitamin in 85 patients with Graves’ disease, defined by TSH<0.35 μUI/mL, T3L>3.71 pg/mL and/ or T4L>1.48 ng/dL and TRAb>1.8 U/L. Patients were divided in subgroups according to performed treatment: we compared patients with definitive treatment [surgery (27.1%) vs Iodine 131 (10.5%)] and patients treated with antithyroid drugs [ in remission (42.4%) vs in treatment with anti-thyroid drugs (20%)]; and according to autoimmunity profile [positive TRAb (9.4%) or negative TRAb (81.2%)]. Then we divided patients in active disease [positive TRAb and/or in treatment with anti-thyroid drugs (27,1%)] and non-active disease [negative TRAb and not actually in treatment with anti-thyroid drugs, and may be previously treated with surgery or Iodo 131 (64,7%)].Pearson correlation, t-test and Mann-Whitney test were performed for statistical analysis. Results: The mean age of the population was 52.9±13.0 years with 89.4% female patients. Regarding TRAbs subgroups there was a positive correlation between TSH and PCR (r=0.8,p=0.010) in positive TRAb subgroup. Comparing with the remission subgroup, significantly higher TV (20.7±9.9 vs 15.4±7.7 mL, p=0.048) and thyroglobulin [45.9 (18.4-59.4) vs 7.5 (1.3-16.2) ng/mL, p=0.001] and significantly lower TSH [0.7 (0.4-1.4) vs 2.7 (1.1-2.9) μUI/mL, p=0.002] were found in patients currently treated with antithyroid drugs. There was a positive correlation between TV and apoB (r=0.9,p=0.034) and between TSH and PCR (r=0.6,p=0.034) in currently treated subgroup.TV and HbA1c (r=0.4,p=0.023) were positively correlated in remission subgroup. Conclusion: The interrelationships found between autoimmunity, insulin resistance, inflammation and lipid profile may contribute to the cardiovascular risk in Graves’ disease.

Portuguese abstract

Introdução: A doença de Graves é uma doença autoimune e a principal causa de hipertiroidismo, com grande influência multissistémica. O nosso objetivo foi avaliar as inter-relações entre fatores de risco cardiovascular, autoimunidade e insulinorresistência na doença de Graves. Métodos: Avaliamos a T3L, T4L, TSH, anticorpos antirrecetor TSH (TRAb), anticorpos antitiroglobulina e antitiroperoxidase, volume tiroideu (VT), IMC, glicose, HbA1c, HOMA-IR (Homeostatic Model Assessment for Insulin Resistance), colesterol total, HDL e LDL colesterol, triglicerídeos, apoB, apoA1, lipoproteína (a), proteína C reativa, ácido fólico e vitamina B12 em 85 doentes com doença de Graves, definida por valores de TSH<0,35 μUI/mL, T3L>3,71 pg/mL e/ ou T4L>1,48 ng/dL e TRAb>1,8 U/L. Os doentes foram divididos em subgrupos de acordo a terapêutica realizada: compararam-se os doentes submetidos a terapêuticas definitivas [cirurgia (27,1%) vs Iodo 131 (10,5%)] e doentes tratados com antitiroideus [em remissão (42,4%) vs em tratamento atual com antitiroideus (20%)]; e de acordo com o perfil de autoimunidade [TRAb positivos (9,4%) ou TRAb negativos (81,2%)]. Numa segunda abordagem, classificou-se a amostra em doença ativa [com TRAb positivos e/ou tratamento atual com antitiroideus (27,1%)] e sem doença ativa [com TRAb negativos e sem tratamento atual com antitiroideus, podendo previamente ter sido submetidos a cirurgia ou iodo 131 (64,7%)].Para a análise estatística foram realizados testes-t, testes de Mann-Whitney e correlações de Pearson. Resultados: A média de idade da população estudada foi 52,9±13,0 anos com 89,4% doentes do sexo feminino. O subgrupo TRAb positivo apresentou uma correlação positiva entre os níveis de TSH e PCR (r=0,8;p=0,010). Comparativamente ao subgrupo em remissão, no grupo em tratamento com antitiroideus verificou-se um VT superior (20,7±9,9 vs 15,4±7,7mL;p=0,048), bem como os níveis de tiroglobulina [45,9 (18,4-59,4) vs 7,5 (1,3-16,2) ng/mL; p=0,001] e menores níveis de TSH [0,7 (0,4-1,4) vs 2,7 (1,1-2,9) μUI/mL; p=0,002]. No grupo em tratamento com antitiroideus verificou-se uma correlação positiva entre o VT e a apoB (r=0,9;p=0,034) e entre a TSH e PCR (r=0,6;p=0,034). O VT e a HbA1c correlacionaram-se positivamente no subgrupo em remissão (r=0,4;p=0,023). Conclusão: As inter-relações encontradas entre autoimunidade, insulinorresistência, inflamação e perfil lipídico poderão contribuir para o risco cardiovascular na doença de Graves.

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