Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2020-10-11
Original article

Association between serum uric acid level, metabolic syndrome and insulin resistance in obese patients – can uric acid be considered a new metabolic marker?

Barbosa M, Barros I, Matta-Coelho C, Monteiro AM, Alves M, Pereira ML, Fernandes V, Souto S

Abstract

Introduction: Hyperuricemia has been associated with several factors that contribute to Metabolic Syndrome (MS). Aim: to determine the association between serum uric acid (UA) levels and MS, number of MS components and insulin resistance (IR) in obese patients. Methods: Retrospective study of obese patients followed in specific appointments at Hospital de Braga (Non surgical Treatment of Obesity project). We excluded patients under UA lowering medication, without UA measurements and/or with no information about MS diagnosis. Statistical analysis was performed using SPSSv22® (significance defined as p<0.05). Results: Of 239 patients, 78.7% were female and 46.4% had MS. The mean age was 45.08±12.58 years and mean serum UA level 4.84±1.28mg/dl. Males presented higher UA levels compared with females (5.99±1.31 vs. 4.52±1.08mg/dl, p<0.001), as well as patients with MS (vs. without MS) (5.07±1.21 vs. 4.64±1.31mg/dl, p=0.009). Mean UA levels increased as the number of MS components increased (0: 4.4±1.21 vs. 1: 4.41±1.18 vs. 2: 4.83±1.4 vs. 3: 4.98±1.31 vs. ≥4: 5.22±1.05mg/dl, p=0.024). In non-diabetic patients, higher UA levels correlated with higher HOMA-IR (r=0.194, p=0.01). Analyzing by sex, results remained significant only in females. Discussion and Conclusion: In obese women, MS presence was associated with higher UA levels, which were significantly elevated as the number of MS components increased. Moreover, a positive correlation with HOMA-IR was found in non-diabetic obese women. This suggests UA as a possible new metabolic marker for MS and IR, at least in females.

Portuguese abstract

Introdução: A hiperuricemia tem sido associada a fatores envolvidos na Síndrome Metabólica (SM). O objetivo deste trabalho foi avaliar a associação entre ácido úrico (AU) e SM, número de componentes de SM e insulinorresistência (IR), numa população de adultos obesos. Materiais e Métodos: Estudo retrospetivo de obesos integrados no projeto TObe (Tratamento não cirúrgico da Obesidade) do Hospital de Braga. Excluíram-se doentes sob terapêutica hipouricemiante, sem doseamento de AU e/ou sem informação que permitisse definir SM. Análise estatística realizada com SPSSv22® (nível significância p<0,05). Resultados: Dos 239 doentes, 78,7% eram mulheres e 46,4% apresentavam SM. A média da idade foi 45,08±12,58 anos e a média dos níveis de AU 4,84±1,28mg/dl. Os homens apresentaram níveis de AU mais elevados que mulheres (5,99±1,31 vs. 4,52±1,08mg/dl, p<0,001), tal como os doentes com SM (vs. sem SM) (5,07±1,21 vs. 4,64±1,31mg/dl, p=0,009). Doentes com mais componentes de SM apresentavam níveis mais elevados de AU (0: 4,4±1,21 vs. 1: 4,41±1,18 vs. 2: 4,83±1,4 vs. 3: 4,98±1,31 vs. ≥4: 5,22±1,05mg/dl, p=0,024). Nos doentes sem diabetes, níveis mais elevados de AU correlacionaram-se com HOMA-IR mais elevado (r=0,194, p=0,01). Na análise separada por sexo, os resultados mantiveram-se apenas nas mulheres. Discussão e Conclusão: Em mulheres obesas, a presença de SM associou-se a níveis de AU mais elevados, que são tão mais altos quanto mais componentes da síndrome estiverem presentes. Ademais, quanto maior a IR em mulheres obesas sem diabetes, maior o nível de AU. Este surge, assim, como possível marcador de SM e IR, pelo menos no sexo feminino.