Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

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Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2020-11-15
Review article

Height impact of somatotropin in cancer survivors

Pereira C, Caetano J, Carvalho A, Brito M, Cardoso R, Dinis I, Mirante A

Abstract

Introduction Somatotropin deficiency is the most common endocrinopathy in childhood cancer survivors. However, studies of final height in these patients treated with somatotropin are limited. Thus, this study was performed to examine their growth outcomes. Methods A retrospective analysis was performed, including all childhood cancer survivors treated with somatotropin in a pediatric endocrinology department, between 1988 and 2016. Statistical analysis was performed. Results Twenty-seven cancer survivors with a median of 5.5 years of age at diagnosis were included; 16 (59.3%) had central nervous system cancer; 19 (70.4%) were submitted to radiotherapy. Concomitant endocrinopathies existed in 14 (51.9%). Somatotropin treatment was started at a median age of 11.13 years with a median duration of 4.1 years. The initial height was −2.30 standard deviation score (SDS) and increased to −1.81 SDS by 1 year, −1.68 SDS by 2 years, and −1.56 SDS by 3 years under somatotropin treatment. There were significant differences in height between the beginning and by 1 year (p<0.001), by 1 and 2 years (p=0.006) and between initial and the end of treatment (p=0.022). However, the adult height was significantly lower than the midparental height (p=0.011), with no differences associated with gender, group of cancer, radiotherapy, concomitant endocrinopathies, age or pubertal stage at beginning. Conclusions We concluded that the improvement of linear growth was significant, mainly in the first year of treatment, but these patients didn’t achieve their genetic potential for height. Physicians must be aware and search for somatotropin deficiency in cancer survivors and treatment should be started as soon as possible.

Portuguese abstract

Introdução A deficiência de somatotropina é a endocrinopatia mais comum em sobreviventes de cancro em idade pediátrica. No entanto, estudos sobe a estatura final destes doentes tratados com somatotropina são escassos, pelo que o objetivo deste estudo foi avaliar o crescimento destes doentes. Métodos Foi realizada uma análise retrospetiva, incluindo todos os sobreviventes de cancro em idade pediátrica tratados com somatotropina numa unidade de endocrinologia pediátrica, entre 1988 e 2016. Foi realizada a análise estatística dos dados. Resultados Foram incluídos vinte e sete sobreviventes oncológicos, com uma mediana de 5,5 anos de idade aquando o diagnóstico da patologia tumoral; 16 (59,3%) apresentavam neoplasia do sistema nervoso central; 19 (70,4%) tinham sido submetidos a radioterapia. Apresentavam endocrinopatias concomitantes 14 (51,9%). O tratamento com somatotropina foi iniciado com uma idade mediana de 11,13 anos, sendo a duração mediana do tratamento de 4,1 anos. A estatura inicial foi de -2,30 desvio padrão (DP), tendo aumentado para -1,81 DP em 1 ano, -1,68 DP em 2 anos, e -1,56 DP em 3 anos sob tratamento com somatotropina. Houve diferenças estatisticamente significativas na estatura entre o início e o final do 1º ano (p<0,001), entre o final do 1º e 2º anos (p=0,006) e entre o início e o final do tratamento (p=0,022). No entanto, a estatura em idade adulta foi significativamente menor que a estatura alvo familiar (p=0,011), sem diferenças no género, grupo de neoplasia, realização de radioterapia, endocrinopatias concomitantes, idade ou estádio pubertário no início do tratamento. Conclusões Concluímos que a evolução do crescimento foi significativa, principalmente no primeiro ano de tratamento, ainda assim estes doentes não atingiram o seu potencial genético para a estatura. Os médicos devem estar alerta de modo a procurar a deficiência de somatotropina em sobreviventes oncológicos e a iniciar o tratamento o mais precocemente possível.