Revista da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo

Online first

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - Online first: 2021-12-02
Original article

Physical exercise in adults with type 1 diabetes: barriers, management and metabolic impact

Sousa V, Fernandes V

Abstract

Introduction: The regular practice of exercise is fundamental in the management of Type 1 Diabetes (T1D). We intend to characterize the practice of physical exercise in adults with T1D, evaluate the therapeutic strategies adopted during exercise, as well as identify the main barriers to its practice. Methods: An observational, cross-sectional and analytical study of adults with T1D observed at Hospital de Braga endocrinology’s consultation between September and November of 2018. Clinical records were consulted and two questionnaires were applied: 1) evaluation of diabetes management during exercise and 2) Barriers to Physical Activity in Type 1 Diabetes (BAPAD-1). Results: Of the 95 adults included, 50.5% were male and the mean age was 33.5±9.96 years. Twelve patients (12.6%) never exercised. Of those who performed, 79.5% practiced aerobic exercise. There was an association between anaerobic/mixed exercise and males (p=.001), younger ages (p<.001) and shorter T1D evolution (p=.017). Male patients and those with lower education levels practiced longer training sessions (p=.013 and p=.028, respectively). Before exercise, about half of them frequently consumed carbohydrates and a similar proportion adjusted their fast-acting insulin, usually decreasing the dose. Approximately one third always adjusted basal insulin on the day of exercise. The main barrier was the risk of hypoglycemia, and female gender, lower education level, multiple daily injection therapy and poorer metabolic control were associated with more barriers. Conclusion: Our study showed that adults with T1D are physically active, prefer to practice aerobic exercise and adopt strategies according to current recommendations. Hypoglycemia was the main limiting factor in the practice of exercise, so an intervention aimed at this problem can contribute to the promotion of a healthier life.

Portuguese abstract

Introdução: A prática regular de exercício é fundamental na gestão da Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). Pretendemos caracterizar a prática de exercício físico em adultos com DM1, avaliar as estratégias terapêuticas adotadas aquando do exercício, bem como identificar as principais barreiras à sua prática. Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico, dos adultos com DM1 seguidos em consulta de Endocrinologia do Hospital de Braga, com consulta entre setembro e novembro de 2018. Consultamos os processos clínicos e aplicamos dois questionários: 1) avaliação da gestão da diabetes na prática de exercício e 2) Barriers to Physical Activity in Type 1 Diabetes (BAPAD-1). Resultados: Dos 95 adultos incluídos, 50,5% eram do sexo masculino e a média de idades era 33,5±9,96 anos. Doze doentes (12,6%) nunca realizavam exercício. Daqueles que o realizam, 79,5% praticava exercício aeróbio. Encontrou-se uma associação entre a prática de exercício anaeróbio/misto e sexo masculino (p=,001), idades mais jovens (p<,001) e menor tempo de evolução da DM1 (p=,017). Doentes do sexo masculino e com escolaridade mais baixa praticavam treinos mais longos (p=,013 e p=,028, respetivamente). Antes do exercício, cerca de metade consumia frequentemente hidratos de carbono e proporção semelhante ajustava a insulina de ação rápida, geralmente diminuindo a dose. Aproximadamente um terço ajustava sempre a insulina basal no dia do exercício. A principal barreira à prática de exercício foi o risco de hipoglicemia, sendo que sexo feminino, escolaridade mais baixa, tratamento com múltiplas doses de insulina e pior controlo metabólico se associavam a mais barreiras. Conclusão: No nosso estudo, adultos com DM1 são fisicamente ativos, praticam preferencialmente exercício aeróbio e adotam estratégias terapêuticas aquando do exercício de acordo com as recomendações atuais. A hipoglicemia foi o principal fator limitador da prática de exercício, pelo que uma intervenção dirigida a esta problemática poderá contribuir para a promoção de uma vida mais saudável.